21 Abril 2009

A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS, MAS TORNEADAS

A mentira tem pernas curtas mas bem torneadas, como as de Lurdinha, por exemplo, minha prima e musa da lan house de Solidão, Pernambuco. A mentira tem pernas curtas, mas é pra lá de sexy, usa um shortinho que só vendo, de parar a Rebouças, de fechar o comércio. A mentira é só um modo menos doloroso de se editar a vida, um corte, uma linguagem, diz um amigo que não sai da sua gelada ilha de edição nem para ir ao banheiro. Democrática, a mentira nasceu para todos como o sol dos trópicos. Mente o católico e o evangélico também mente ao dizer que esse mal jamais sairia da sua boca. Mente o judeu, mente o árabe da Faixa de Gaza e só não mente o homem-bomba porque não volta para contar a história.
(...)
Por Xico Sá.

28 Março 2009

pau.sa.da.men.te - pausa.da.mente

.
cheia de pontos.
cheia dos pontos.
.

22 Março 2009

não me quero santa.

Tenho medo de ter me transformado demais nos últimos meses. Faz tempo que não sinto vontade de escrever aqui. Não sinto vontade de escrever em lugar algum. Perdi minha distração, perdi qualquer coisa de doce, qualquer coisa de flor... talvez tenha sido melhor assim, acabar com tanta coisa, perder, mandar ás favas a tola ilusão de que tudo poderia ser diferente, mandar ás favas qualquer tola ilusão.
Arrumei uma caixa bem grande pra socar ali toda a minha mania de querer sentir mais do que posso, de esperar sempre o melhor das pessoas... A última vez que eu chorei de verdade, eu lembro, foi numa tarde de dezembro, eu senti tanta raiva que, por descuido, topei o braço direito na porta com muita força. Criou um roxo, doeu por semanas e nesse dia eu percebi que eu só machucava a mim. Sempre. No acalento as vezes se consegue ir mais longe até chegar ao coração das pessoas. Mas algumas pessoas não tem coração. Procuro algum embrutecimento, qualquer coisa em mim. Nao me quero santa.
Vejo alguns mesmos amigos, frequento os mesmos bares, sorrio para as mesmas pessoas, algumas mesmas pessoas, as mesmas que sempre sorriram pra mim... eles perderam qualquer coisa de graça, qualquer coisa de cor...Me sinto desconfortável, desajeitada, mas não consigo, nem sinto vontade de transformar alguma coisa. Não sinto vontade de escrever, não sinto vontade de falar, nao sei sequer se sinto vontade de colocar isso pra fora, mas também não quero guardar.


[escrito em alguma noite de janeiro, mas podia ter sido hoje.]

21 Fevereiro 2009

carnaval.

[ou: se eu fosse você,estava me acabando.]
http://www.screamyell.com.br/secoes/forastieri.html

12 Janeiro 2009

Até a borda. (uma pitada de mal humor)

Não tenho tido muita paciência com o mundo e tenho sido muito intolerante com as pessoas. Não tenho me interessado por quase nada e as coisas não tem me comovido com freqüência. Sementinha germinando, florzinha enfeitando o jardim, eclipse lunar, nascimento, morte, cidades, pessoas, música, poesia, amores. Nada. Eu olho para as pessoas, algumas pessoas, e me impressiono com o (aparente) potencial que elas tem de usufruir de uma felicidade sem cérebro. Me impressiono ao mesmo passo que admiro. Penso eu que viver assim deve ser um viver tão leve, tão livre...

Os dias tem simplesmente sido. Nada substancialmente positivo ou negativo a acrescentar. Uma falta de laços tão grande que eu poderia ir agora para qualquer lugar do mundo: Timor Leste, Guatemala, Palestina e não sentiria nada, nem medo nem falta.

Cansada do ser humano. Cansada do pseudo-progresso da civilização, do mundo corporativo, das manipulações, da mídia, das religiões, do imperialismo americano e das discussões a respeito, das crenças libertárias de um mundo melhor, do meu pensamento utópico de querer salvar o mundo. Cansada de querer acreditar em algo. É tudo invenção.

Tenho procurado me livrar de tudo aquilo que me prende. Involuntariamente boa parte das coisas que eu acreditava, abandonei. Em meio a esse abandono procuro um lugar pra ficar, onde eu possa ser, mas eu não encontro esse lugar porque desprezo o superficial. E tudo é superficial por mais fundo que se possa ir. Como é difícil pertencer a algo. Nada é exatamente o que parece ser.

Cansada de ser humana. Até a borda de mim. De saco cheio dos meus preconceitos. Cheia de sentir vontade de voltar pro meu edredon quentinho toda vez que me deparo com essa gente que sorri demais, alto demais e sem motivo demais. De saco cheio de lugares lotados e dessa gente que precisa estar em grupo pra aparentar existência

De saco cheio de todas as coisas que se parecem porque eu ando realmente cansada de repetição. Cansada das bandas de rock que se parecem, das “novas vozes da MPB” que se parecem, da galera “alternativa” que se parece e de todas as mortais análogas que- munidas de salto, maquiagem e discussões afetuosíssimas sobre as (f)últimas notícias do mundo – se parecem. De saco cheio dos que ouvem determinado tipo de música e se acham superiores porque escutam “música de qualidade”, dos que lêem determinados autores e assistem determinados filmes e saem por aí divulgando a capacidade do seu intelecto. Tomar no cult todos eles.

Acho que o meu problema é ter aprendido desde criança a ver o mundo como se vivesse fora dele e ter criado um mundo interior bem mais interessante que o externo, então a realidade fica o tempo inteiro acenando pros meus olhos, fazendo festa na minha mente cheia de conceitos pré-formulados. Sei lá, talvez eu precise de drogas pra fugir um pouco dessa realidade gritante já que a sobriedade do mundo me cansa, só que eu acho tudo isso uma chatice sem tamanho e, de boa, sair por aí com cara de boba ou serelepeando inutilmente não me convence (desprezo o superficial, lembra?). Sou careta e tenho conservado certa impaciência por essa gente que acha que o problema do mundo é a falta de psicotrópicos no cérebro das pessoas. As coisas me cansam demais.

02 Dezembro 2008

sobre o falar corporalmente.

o lado B das pessoas me parece mais interessante.

e real.

24 Outubro 2008

perdas e ganhos, aquarela, janelas e bolhas imagináveis...


Pensei na vida. Em minha vida. Nas frestas de luz que entram pela porta cortando o escuro da noite, no som dos despertadores pela manhã, nos quarenta minutos indispostos após o despertar, nos balões de ar que se perdem no céu antes de alcançar a estratosfera, nas bolhas de sabão que estouram no ar antes que se termine de admirá-las, nos gerânios que ainda faltam no meu jardim e que são bonitos para nada, nas amoras, nos amores, nos brinquedos da infância, na infância: saia plissada, bochechas e joelhos sobressalentes. Hoje tudo se mistura. Naquela época tudo me comovia: a soma dos números da placa de um carro, um pássaro engaiolado, o barulho da moto do entregador de pizza, um quadro torto na parede, uma estrela no céu, as nuvens opacas do final da tarde, uma boneca com a perna quebrada. Tudo. Minha vida é uma colagem.
Pensei nas vitórias. Nas minhas vitórias cotidianas, nas minhas perdas, nas escolhas e no que ficou pra trás. Nostalgia. Possibilidades. -Aonde você vai estar daqui a dez anos? – Por quê? – Porque é exatamente aonde eu gostaria de estar!. Finais. Telas em branco, cadernos vazios, canetas, pincéis, aquarela e nanquim. Todos os medos. Tudo o que eu poderia ter libertado. Paredes, concreto, bolhas imaginárias de proteção de onde eu podia observar o mundo e permanecer imune a ele. Poderia ter me libertado das minhas próprias paredes há tempos.
Já experimentei de tudo. Ou quase. Dependendo do que “tudo” possa significar. Alegria, raiva,medo. Intensamente feliz, extremamente triste. Mas não o suficiente. Nunca o suficiente. Será que existe alegria suficiente? Será que há um limiar onde a felicidade convence? O fim de qualquer tristeza não justifica a tristeza. Sofrer é sólido. Não se perde no céu, não estoura no ar. Pensar demais é inútil. O mundo fora de nossas cabeças pode ser bem mais divertido. Que tola eu sou, tão boba e tão frágil, tão forte, tão simples e absoluta. Não tenho nenhum animal de pelúcia, não tenho medo da morte, meus animais de estimação não cativaram minha estima, ainda tenho medo da vida, do que se vai e do que fica (e do) para sempre. Que tipo de pessoa eu sou? Não consigo explicar o que sinto nem a mim mesmo e por isso o que sinto é –quase- sempre tão bonito. Ainda não consigo compreender meus finais. Nem os inícios. E essa catraca que é a vida da gente. Tantas pessoas que entram e tantas pessoas que saem. É preciso manter a porta aberta pra que elas entrem. É preciso manter a porta aberta pra que elas saiam. Minha casa vai ter sete janelas.

Pensei na vida. Em minha vida. E na falta que sinto do que já tenho.

18 Outubro 2008

desalojamento sentimental.

longe de pertencer. de estar. de ter.
não sei mais onde morar.

15 Outubro 2008

para colorir.

E se a água que saísse do chuveiro fosse tratada com um produto químico que reagisse a uma combinação de coisas, como o batimento cardíaco, a temperatura corporal e as ondas cerebrais, de modo que sua pele trocasse de cor dependendo do seu estado de ânimo? Se você estivesse extremamente empolgado, a pele ficaria verde, se você estivesse brabo a pele ficaria vermelha, obviamente, e se estivesse triste ficaria azul.
Todo mundo saberia como o resto das pessoas está se sentindo e poderíamos ser mais cuidadosos uns com os outros, pois você jamais ia querer dizer a uma pessoa com a pele roxa que você está brabo com ela por ela ter se atrasado, ao mesmo tempo que ia querer dar um tapinha nas costas de uma pessoa rosa e dizer a ela: “Parabéns!”
Outra razão que torna essa invenção boa é que muitas vezes você sabe que está sentindo um monte de alguma coisa, mas não sabe que coisa é essa. Será que estou frustrado? Será que só estava mesmo aflito? E essa confusão modifica seu ânimo, ela se torna o seu ânimo, e você vira uma pessoa confusa, cinza. Mas com a água especial você poderia olhar para as suas mãos laranja e pensar Estou feliz! Na verdade eu estava feliz esse tempo todo! Que alívio!
Por Oskar Schell.
[personagem de Jonathan Safran Foer no livro Extremamente Alto & Incrivelmente Perto]

26 Setembro 2008

convivência.

O sexo. O esperma. O útero. O feto. A placenta. O choro. O leite. O cuidado. O amor. O almoço. A escola. A união. A guerra. A paz. O conforto. A segurança. A base. A doçura. A loucura. O corte. A morte. A sorte.

Família ê.
Família á.

A presença me aquieta e atormenta.
A ausência me traz falta.

Com ela convivo melhor...

16 Setembro 2008

?

Pergunto-me se as coisas que quero mudar em mim não as estou querendo mudar sem que no fundo nada mude grande coisa, se quando acredito escolher algo novo minha escolha não está regida secretamente por tudo o que quero deixar para trás. (...) tudo se resumiria em saber se procuro,se saio à procura realmente ou se não faço mais que preferir minha herança cultural, meu ocidente burguês, meu pequeno indivíduo desprezível e maravilhoso.
-córtazar.

12 Setembro 2008

as pessoas que se morrem

E depois da notícia me ficou uma sensação esquisita, a mesma que sempre vem me visitar depois de notícias assim. Dispensei os pensamentos que – involuntários – surgiram: o sangue, a dor, o grito (?), o corpo... E em seguida me veio a questão: por que?

Quando acontece, o suicídio traz de mãos dadas a incompreensão, o não entender. Um desconhecimento, uma incógnita, um monólogo restrito. Mesmo que de forma não assumida nem tão clara, falam de fraqueza, falam como algo que beira a depreciação e ocidentalmente algo que precisa ser perdoado, cheio de culpa cristã, um quase pecado ou coisa assim. Talvez seja esse o motivo de toda a inquietude. Todos os burbúrios que envolve. Não sei.

Lembrei da banalidade fatal com que isso ocorre. Uma menina. Mais uma. Menos uma. Minha idade. Tanta vida ainda. Um ponto final. Ponto. Antes do fim do texto.

Não consigo tirar da cabeça aquela menina, aquele prédio e a sua decisão. Não consigo deixar de pensar nos comentários que fazem, fizeram e ainda farão. Por que o suicídio nos inquieta tanto? Decidir morrer me soa tão estranho, tão tenso. Por mais que possa existir liberdade e leveza no ato, se é que pode mesmo existir. Não se trata apenas do que foi dito no parágrafo anterior, nem uma questão de livre arbítrio.

Quantas mortes cotidianas ocorrem pra que se decida morrer de verdade?

01 Setembro 2008

Do Livro do Desassossego.

Mas não há sossego – ah,nem o haverá nunca! – no fundo do meu coração.
Não há sossego – e ,ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter...


[Fernando Pessoa]

22 Agosto 2008

encontros e desencontros

ou: vagueações alheias em busca da definição do indefinido.

"o buraco do espelho está fechado. agora eu tenho que ficar aqui com um olho aberto, outro acordado no lado de lá onde eu caí. pro lado de cá não tem acesso, mesmo que me chamem pelo nome, mesmo que admitam meu regresso, toda vez que eu vou a porta some. a janela some na parede, a palavra de água se dissolve..."

"os espelhos estão cheios de gente, bayá".

"espelho é o espaço mais fundo que existe".

"difícil encontrar a saída, o outro lado, encontrar o encontro".

"Na minha terra", replicou Alice ainda arquejante, "quem corre como nós corremos chega sempre a um ponto diferente de onde partiu". "Deve ser uma terra muito lenta essa", comentou a Rainha. "Aqui é preciso correr como corremos para ficar no mesmo ponto. Para mudarmos de lugar seria preciso que corrêssemos o dobro."

"sem o encontro pessoal não é possível haver nenhum encontro. por mais que se corra".

"nada do que voce disser vai mudar isso. é preciso estar sozinho".

encontrar...esquecer...reportar...entender...encontrar...

Sorte de hoje: A sorte vem ao seu encontro

21 Agosto 2008

Abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer...

Duas pessoas encontram-se em um local bem frio. Mas tão tão frio que nenhum tem coragem sequer de se levantar para fechar as portas na tentativa de amenizar e aquecer o recinto. Ambos usam tênis, camiseta, calça jeans e moleton, ambos sentem muito muito frio. Eles, um homem e uma mulher, dividindo aquele espaço, aquela mesma distância e algo que só não é maior que os dois juntos, se olham e pensam: eu poderia tirar meu moleton pra poder lhe agasalhar melhor. Mas o frio é tanto que ninguém o faz. Ninguém consegue. Os dois se abraçam. Sublime.
O amor é nas pequenas coisas. O amor não é quando um tenta dar ao outro aquilo que lhe falta, não é quando um se torna incompleto. Amor é conjunção, é partilha e troca, outra coisa não deve ser amor, amor é estar junto – independente da forma – um aquecendo o outro pra conseguir suportar o frio até que ele passe...

08 Agosto 2008

888

Feliz dia do infinito!

07 Agosto 2008

(re) visitando sentimentos


Atravessei esses sentimentos centenas de vezes nas últimas semanas. Saí ilesa.

Minhas 200907118184 tristezas...

A tristeza de não saber expressar claramente o que se quer dizer;
A tristeza de acordar no meio da madrugada;
A tristeza de não poder abraçar o silêncio;
A tristeza da ausência;
A tristeza das coisas pensadas que soam mais terríveis que as coisas faladas;
A tristeza das coisas faladas que saem diferentes das coisas vividas;
A tristeza da falta de concentração;
A tristeza do pensamento fragmentado;
A tristeza de querer fazer tudo imediatamente;
A tristeza de não fazer nada;
A tristeza da radiação solar;
A tristeza da vida que continua enquanto a gente não para;
A tristeza da gente que não para enquanto a vida continua;
A tristeza do oposto da crença;
A tristeza do contrário da fé;
A tristeza do “se”;
A tristeza das impossibilidades inventadas;
A tristeza do peso que o excesso de leveza trás;
A tristeza do amor sem desprendimento;
A tristeza dos hormônios;
A tristeza do incômodo da alegria fulgaz;
A tristeza do incômodo da fulgacidade alheia;
A tristeza da cerveja quente;
A tristeza de ser uma esquecedora ativa;
A tristeza de ser uma relembradora inerte;
A tristeza de terminar um bom livro;
A tristeza de não terminar um livro;
A tristeza de sentir necessidade de criar coisas;
A tristeza da impossibilidade de conciliação entre certos quereres e o existir;
A tristeza da falta do peso inexistente do corpo existente, porém não presente no meu corpo demasiadamente real;
A tristeza da falta;
A tristeza dos outros;
A tristeza de – por mais tolo que isso pareça – não poder voar;
A tristeza de não ser duas. Ou três.

A tristeza é algo que está aquém à nossa disposição normal. Não estou triste. Não é tristeza o que sinto. Mas a palavra é quase bela e eu preciso dar nomes. Tristeza é útil.

01 Agosto 2008

kundera.

Ornela diz:

eu fico é pensando, sabe? tu, com tua capacidade natural de transcendência, morando em um lugar de transcendência como esse...

deve ser um viver tão leve.

Maya diz:

..mas a leveza, também ela, as vezes é insustentável.

30 Julho 2008

tentara perder...em vão.

Eu já perdi tantas chaves ao longo do tempo. Tantas canetas, borrachas, cadernos cheios de anotações, tantas avaliações escolares por confusão de data, um ano inteiro no ensino fundamental, sessão no cinema, óculos, celular, tênis, milhões de idéias que esqueci de anotar, o momento certo de dizer, o momento certo de calar, dinheiro, cheques em branco, incontáveis oportunidades (algumas profundamente significativas), o brinco predileto, cd´s, livros, o medo de me expor, prendedores de cabelo, fotografia, carta, respiração, tantas horas do dia dedicadas a nada pra fazer, amor, pessoas, postura, juízo, senso, noção de tempo, razão...



Engraçado, não parecia haver nada que eu não fosse capaz de perder...

28 Julho 2008

segunda-feira

Aquela sensação de que o mundo está suspenso, sabe como é?

16 Julho 2008

espero.

"...cada qual à sua maneira, o passado nos ensinará a inutilidade profunda de ser sérios."

[cortázar]

09 Julho 2008

Agora me falta a paciência de suportar uma vida tão tranquila...

Tenho trabalhado um bocado.Tenho reformulado muitos conceitos. Tenho sujado muito os pés na areia. Tenho admirado o pôr-do-sol com mais frequência. Tenho aprendido a fazer comidas. Tenho aprendido que shampoo e condicionador duram aproximadamente um mês, sabonete -pasmem- apenas uma semana e colcha de cama se troca no máximo em 15 dias.Tenho tido muita oportunidade de falar e tenho tido muito tempo pra ficar calada. Tenho escutado muito o barulho que o vento faz. Tenho tido bons sonhos e sonos regulares. Tenho tido concentração e lido alguns bons livros. Tenho gravado muitos cd's e escutado muita música. Tenho bebido pouco. Tenho tido pouco cansaço, alguma saudade e muita calma... e ainda assim, tenho pensado dioturnamente em concreto, asfalto, velocitá e confusão.

"Será que a gente não tem mais força de suportar tanta paz???"

04 Julho 2008

meu novo brinquedo




pra completar minha coleção.

30 Junho 2008

umas palavras soltas e arnaldo antunes.

Qualquer amor pode ser o amor da sua vida.
Qualquer história, qualquer coisa, qualquer coisa que sinta...
É tudo uma questão de vontade e disposição.
Eu ainda não sei bem como funciona nem como se acredita nisso.
Hei de assumir que não me sinto disposta.Insatisfeita.
Mas tudo é uma questão de tempo. Dizem.
Sempre haverão belas histórias para serem contadas.
Isso é quase bonito.
E sempre há de surgir. Sempre.
Só não sei como.
Achei que entendesse. Mas as verdades também são inventadas.
Toda vez que eu vou a porta some.
Toda vez que eu vou a porta some.
Toda vez que eu vou a porta some.
Nem sei se é medo o que sinto.

29 Junho 2008

Dá licença que eu preciso ser estúpida só um pouquinho:

-eu quero que tudo se foda!

17 Junho 2008

Das coisas que te passam se ainda está(s) vivo:

Por que mesmo depois de tudo, do tanto, do tempo, a gente insiste em permanecer nessa ilusão de eterno???

14 Junho 2008

Hoje acordei achando meu nariz grande demais. Freud colocaria uma interpretação fálica aqui. Mas - isso é algo que eu talvez ainda não tenha falado publicamente- eu tenho gravíssimos problemas de relacionamento com Freud. Gravíssimos. Quase a mesma problemática que tenho com a imagem de Deus que me foi apresentada pela Igreja Católica ( e por tantas outras depois). Houve um tempo que eu acreditei ter problemas com Deus, um curto limiar entre a dúvida e a descrença. Depois percebi que não, meu problema é com os homens. "Não ter nascido bicho é minha secreta nostalgia"*.
Mas não era isso que eu queria falar. Tenho mesmo essa mania de atropelar pensamentos. As vezes me sinto meio burra por conta disso. Meio aérea, meio frenética, meio louca também e mais toda essa confusa coleção de adjetivos.
Esses dias falei pra um colega, uma dessas pessoas que a gente faz amizade em viagens de ônibus e fala sobre uma porção de bobagens pessoais porque tem certeza que a possibilidade de aproximações futuras é minina, falei que já havia abusado essa minha cara de 16 anos (apesar de ultimamente estar me esforçando pra fazer juz a ela: pensando em piercings e borboletas tatuadas pelo corpo). Eu já sou, cronologicamente falando, uma adultinha nessa vida e continuo com cara de criança. E o colega arqueando as sobrancelhas falou assim: "É nada, te olha no espelho! Não é cara de criança que tu tem, é expressão. Não são teus traços, são os teus jeitos..."
Ontem conversando com uma amiga, falando sobre inadequações cotidianas, o mundo dos homens grandes e minhas frequentes deconexões com ele, relatei o seguinte: o que eu não sei entender é essa minha dificuldade em me manter no meio-termo: as vezes sou extremamente tímida e em momentos que deveria ser, me comporto de modo extremo; as vezes me encanto profundamente com algo e pouquíssimo tempo depois, com uma habilidade que até admiro, perco o interesse. "É porque tu tem alma de criança, Bayá!". E eu nem sei exatamente o que essa coisa de alma quer dizer, nem sei se acredito exatamente no que sei, também nem sei explicar, mas desfazendo as conotações espirituais ou exotéricas da coisa, perguntei: "E isso é bom?" "- Isso é lindo, isso é lindo!".
Hoje me olhei no espelho querendo captar esse negócio de alma-essência-jeito-modo... e nada. Continuo com cara de 16 anos... E de repente, com o nariz um pouco grande demais pro rosto que tenho.


* Clarice Lispector

29 Maio 2008

Pensamento do momento anterior ao anterior:

Esses últimos dias eu devo ter andado em umas cinco ou seis cidades entre Piaui, Ceará e Maranhão. Faz umas quatro horas que estou em sobral e faz umas quatro horas que não consigo tirar da cabeça a idéia de vir morar aqui. é tudo tão lindo! as senhorinhas varrendo suas calçadas bem cedo, a ponte que passa sobre o rio, gente caminhando nas margens, as pessoas sorrindo e dando "bom dia" por onde a gente passa - eu adoraria morar em uma cidade onde as pessoas dão "bom dia" por onde a gente passa - os trabalhadores limpando as ruas, é tudo tão limpinho que dá gosto: as ruas, as praças, as igrejinhas. Tem uma porção de igrejinhas por aqui, umas me lembram bastante os pudins de cocô que minha mãe faz. E vamos combinar que eu não gosto nem um pouco da instituição igreja, mas a arquitetura eu adoro. Andei por mais de duas horas pela cidade e nem me dei conta. Agora eu parei aqui numa lan house só pra dizer que daqui a aproximadamente 3 horas eu volto pra teresina pra daqui a uns 3 dias ir embora pra uma outra cidadezinha bem simpática onde resolvi morar. Mas isso tudo apenas teoricamente, por que eu ainda tenho aproximadamente 3 horas pra encontrar um emprego por aqui. Nem precisa ser muito, nem precisa. Eu só tenho umas contas pra pagar e sou bem baratinha.

Pensamento do momento anterior:

Não vai dar tempo!

Pensamento do momento:

Drouga!

24 Maio 2008

Nomes e sorrisos não me encantam mais.

Deixa eu te contar...Eu nem devia falar essas coisas, bem menos desse modo. Mas eu preciso dizer. A verdade é que preciso saber se você concorda. E eu acho que concorda. Não creio que possas desfazer tão rapidamente o castelo da tua imagem que eu tanto cuidei em construir. Tijolo por tijolo... Eu nem precisava dizer. Já falamos muito sobre isso. Não me entenda mal, mas é que eu olhei, olhei, olhei e não vi nada. E olhei de novo, novamente, mais uma vez, tentanto me despir de qualquer variável interna que pudesse interferir na observação...e nada. Não vi nada. E eu sou muito justa com esse tipo de coisa, você sabe. Nem é meu papel, deveria ser o oposto na verdade, mas está aqui um defeito: nunca me enquadro nos papéis que me são propostos. Eu vi algumas qualidades (quem não veria?) e, sem dúvida, existem belos adjetivos que eu acrescentaria no caso de uma descrição. Mas é meio superficial, é meio na medida, nada além. Nada. Nada. Nada. Eu bem sei que não devia falar nesses termos. A gente já conversou um bocado. Eu sempre falava do meu medo de com esse meu modo estar julgando, lembra? Mas é que eu sempre fui muito boa nisso e você sabe. E voce concorda. Então eu senti uma vontade louca de saber se dessa vez você concorda também. Há coisas que eu entendo perfeitamente, outras nem com o maior esforço. Eu não gosto de coisas na medida e não consigo imaginar-te assim. nada além. na média. médio. mediocre.
...mas como dizia Tati Bernardi: "talvez mediocridade seja tudo de que uma pessoa precise para ser feliz."

23 Maio 2008

atividades

. sujar o pé de areia pra depois lavar na água;
. lavar o pé na água pra depois sujar de areia;
. esperar o vaga-lume piscar outra vez;
. ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima;
. respirar;
. sentir o sabor do que comer;
. caminhar;
. se chover, tomar chuva;
. não esperar nada acontecer;
. ser gentil com qualquer pessoa;
. ter saudade no final da tarde para quando escurecer esquecer;
. ao se deitar para dormir, dormir.


[da música "Num dia" - Arnaldo Antunes]

17 Maio 2008

As coisas

"Deve haver pra tudo isso alguma explicação"

http://www.youtube.com/watch?v=sPkVdyLh1Kg


[nunca aprendi como colocar vídeo nessa birosca]

05 Maio 2008

Tarefa de casa.

Livrar-me dos meus velórios sentimentais. Que tudo seja vivo. Seja vida. Hoje eu decidi não matar. Matar é também morrer um pouquinho. Morrer não dói, dizem... mas cansa. Não são essas as flores que preciso.

26 Abril 2008

Faxina

Estou arrumando a minha casinha. Velhos móveis, coisas antigas, uma poeira danada, uma confusão. Eu ia jogar tudo no lixo, sabe? Mas percebi que há cousas que não posso me desfazer. Isso me fez lembrar de uma palavra que muito gosto: customização. Ora, como não tinha pensado nisso antes? Se a gente pode customizar roupas, pode-se customizar tudo nessa vida. Tudo. Mas é que tem tanta quinquilharia no meu porão.
Eu resolvi dar nome a eles. A cada um. Tirar do porão. Dar um bom banho. Cozer novas roupas. As mais belas roupas. Laços de fita no cabelo e, para os meninos, gravata borboleta. Uma graça, já imagino. Levar pra passear na praça. Contar belas histórias. Fazer cafuné, for preciso. Quero-os em minha companhia. Desisti da idéia de fugir, de os enconder. Quero conhecer cada um. Quero poder chamar pelo nome e dedicar horas das minhas tardes em longas e libertadoras conversas. Afinal, eu tenho pra mim que a melhor forma de educar é dedicando muito amor e carinho. Acho que eles foram muito mal tratados até hoje, talvez por isso a rebeldia. E eu preciso lhes mostrar convencer ensinar que nessa relação obediência é fundamental, eles não devem vir sem o meu chamado. Eles, os meus dragõezinhos.

07 Abril 2008

Eu sou a falta e, por isso mesmo, às vezes o excesso.

Quando a falta se faz presente tudo aquilo que a envolve se torna mais longo.
Hoje disponho de todas as respostas, mesmo para as perguntas que ainda não foram feitas. As minhas respostas para as minhas perguntas. A minha falta de habilidade em me manter próxima àquilo que é vivo. A minha insistência em permanecer distante. O cuidado que sempre me falta. Principalmente ele. Eu nunca soube cuidar. Nunca aprendi. Nunca. Ainda hoje - por defesa, por sobrevivência ou por mera covardia - prefiro manter um não relacionamento com o mundo. A minha relação maior ainda se dá com objetos e seres inanimados, porque o que me falta no cuidado excede na imaginação. Nunca soube cuidar. E em todas as oportunidades que busquei ir contra isso, cedo ou tarde, mais cedo que tarde pra ser específica, eu fui levada pro lado oposto aquele que gostaria de estar. As vezes que mais peco e mais perco é quando tento ir pra onde não sei. Eu definitivamente não sei cuidar. Coelho, bezerro, pinto, cachorro, peixe, árvore, amigo, ex-namorado. Tudo. Nada está imune. Ou eu não alimentei, ou eu alimentei demais, ou deixei a porta aberta, ou tranquei e esqueci as chaves, ou tive medo, ou coloquei o cuidado nas mão de outro que não soube cuidar também, ou, como na maioria das vezes, fugi da responsabilidade de cuidar. O fato é que eu não sei explicar e a coisa toda é simples apesar das inúmeras implicações negativas que traz.
Hoje percebo, depois de toda tentativa (incompetente) de entrega, que sou só. E não me refiro aqui a pressupostos existencialistas. Solidão é condição humana, mas não é a essa solidão compartilhada que me refiro. Hoje percebo - não feliz em perceber - que sou só. Porque pra mim ainda é difícil dividir, sempre acabo acreditando que preciso ME dividir, ainda é difícil fazer concessões. E qualquer relação requer isso. Cuidado também. E cuidado requer jeito, requer constancia, requer disposição, requer trato constante. O meu desleixo é sempre maior. Eu não sei ser constante. Eu sou a falta e, por isso mesmo, às vezes o excesso. E o excesso de cuidado também traz efeitos colaterais.
Cada um constrói sua própria história. A minha foi escrita assim. Eu sempre fui sozinha. Na infância eu era a criança que se escondia no vão da janela pra brincar sozinha com caixinhas de fósforo. E hoje continuo me escondendo. Escondendo-me atrás disso e de outros tantos motivos - alguns até com explicação psicológica bastante plausível - por defesa, por covardia, por comodidade, por descuido. E já que um fato acrescenta outro com clareza, é valido ressaltar o seguinte: eu também não sei me cuidar. E uma coisa está intimamente ligada a outra. Se não sei me cuidar ainda não consigo compreender e talvez nem perceber a falta que isso faz no outro.

Preciso não ser só minha. Preciso aprender. Preciso de um animal de estimação. Preciso plantar uma árvore, preciso cuidar...e depois... quem sabe...

05 Abril 2008

O escafandro e a borboleta


Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric) tem 43 anos, é editor da revista Elle e um apaixonado pela vida. Mas, subitamente, tem um derrame cerebral. Vinte dias depois, ele acorda. Ainda está lúcido, mas sofre de uma rara paralisia: o único movimento que lhe resta no corpo é o do olho esquerdo. Bauby se recusa a aceitar seu destino. Aprende a se comunicar piscando letras do alfabeto, e forma palavras, frases e até parágrafos. Cria um mundo próprio, contando com aquilo que não se paralisou: sua imaginação e sua memória.
Fonte:adorocinema
Aguardo ansiosa!
Obrigada pela dica, Ana!

30 Março 2008

De tanto inventar-me...

Me encontro perdida em meio às minhas conceituações.
Não sei ao certo pra onde eu sou.

15 Março 2008

Das coisinhas que andam pululando a minha cabeça:

Se um coração mede aproximadamente 12 centímetros, como é que ele consegue doer assim tanto quilômetros???

06 Fevereiro 2008

.azia.

É que existem momentos onde a água me embaça os olhos e não consigo enxergar nada além do que quero e de como eu quero e pronto no momento agora. As minhas precipitações que nada mais são que meu egoísmo disfarçado. Eu já disse que detesto ser mulherzinha? Eu já disse que detesto pensar com o estômago? Sentimentos confusos se alojam no estomago, não é? Por isso esse mal estar, azia, fome,coisa assim...
As vezes eu tenho vontade de ter uma borracha e apagar metade das inutilidades que escreveram na minha cabeça.E tenho vontade de não ouvir nada, não falar nada, não enxergar nada, não sentir nada só pra ver se não penso por uma semana.

24 Outubro 2007

das coisas que percebi esses dias...

Explodir pode ser bom, principalmente quando se é - na maior parte do tempo - tranqüila.

Ser lenta às vezes é mais do que opção, é parte da essência das coisas.

Ser agitada às vezes é mais do que opção, faz parte do convívio com as coisas.

Preciso aprender outras línguas. Falar em português e pensar em português o tempo inteiro é chato.

25 Setembro 2007

Não sei ao certo se eu nasci não cabendo na vida ou se é a vida, a minha, cheia de realidades inventadas, que por ser maior do que a vida em si não (me) cabe.
A minha imaginação sempre me excede. As vezes não sei se existo. Vivo procurando brechas por onde eu possa escapar-me. Nunca escapo. Vivo procurando meios para esconder-me. Nem sempre escondo. Vez ou outra a minha pressa e o meu não caber me tira da rota. E então eu realmente não caibo nem entendo como consigo sentir tão distante aquilo que está tão perto.

Eu vou tentar inventar realidades menos imagináveis...

01 Setembro 2007

.das coisas que não tem nada a ver com o momento agora apesar de terem mesmo uma ligação enorme com tudo isso...ou não, já que não há tempo.

-Sei, sei. Você vai perguntar: mas houve algum erro? Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro. Mas estava ali, tão completamente ali, você me entende? No segundo seguinte, você ia tocá-la, você ia tê-la. Era tão. Tão imediata. Tão agora. Tão já. E não era. Meu Deus, não era. Foi você que não soube fazer o movimento correto? O movimento perfeito, tinha que ser um movimento perfeito. Talvez tenha demonstrado demasiada ansiedade, eu penso. E a coisa se assustou, então. Como se fosse uma fruta madura, à espera de ser colhida. É assim que vejo ela, às vezes. Como uma coisa parada, à espera de ser colhida por alguém que é exatamente você. Não aconteceria com outros. Depois, quando ela foge, penso que não, que não era uma fruta. Que era um bicho, um bichinho desses ariscos. Coelho, borboleta. Um rato. É preciso cuidado com o arisco, senão ele foge. É preciso aprender a se movimentar dentro do silêncio e do tempo. Cada movimento em direção a ele é tão absurdamente lento que o tempo fica meio abolido. Não há tempo. Um bicho arisco vive dentro de uma espécie de eternidade. Duma ilusão de eternidade. Onde ele pode ficar parado para sempre, mastigando o eterno. Para não assustá-lo, para tê-lo dentro de seus dedos quando eles finalmente se fecharem, você também precisa estar dentro dessa ilusão do eterno. (…)

- O erro? Eu dizia, pois é, o erro. Eu penso, se o erro não foi de dentro, mas de fora? Se o erro não foi seu, mas da coisa? Se foi ela quem não soube estar pronta? Que não captou, que não conseguiu captar essa hora exata, perfeita, de estar pronta. Porque assim como o movimento de apanhar deve ser perfeito, deve ser perfeita também a falta de movimento, a aparente falta de movimento do que se deixa apanhar. Você me entende? Eu penso também, e se houve alguma interferência no. No em-volta-dos-dois, no ar. No astral, eu penso também. Uma coisa de Deus, do invisível, do mistério, que embora pareça errada ao não te deixar apanhar o prometido, no entanto está absolutamente certa. Porque é assim que é. Naturalmente. As coisas sempre prestes a serem apanhadas. E você eternamente prestes a apanhá-las. Como uma sina. Sempre prestes.

[fragmentos de Pela Noite] [c.f.a]

22 Agosto 2007

.da droga que eles usaram, eu preciso provar...

...é que eu andei retomando minha leitura aos filósofos, sabe?
com um certo afinco.

pois é!

13 Agosto 2007

euteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoueteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoueteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoueteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoueteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoueteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamo...



...muito.


(viu?)

01 Agosto 2007

O que sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se me entendesse.



[Clarisse Lispector me salva]

transbordei.

16 Julho 2007

Sobre diferenças e outras tolices sentimentais...

As vezes eu me pego pensando de modo bem frágil nas diferenças. Elas que sazonalmente querem gritar bem alto, e acreditam incomodar. Acreditam apenas, porque não conseguem ,tadinhas, não conseguem sequer mover de relance o fio da certeza que amarra e sustenta a gente. Penso nelas e percebo o quanto maior eu posso me colocar diante delas. Mas eis que depois de pensar em tais diferenças me sucede um outro sentimento de desagrado. Eu conservo certa raiva pelo ciúme que eu sinto do mundo ao qual ele pertence e que, de todo, eu não faço parte. Mesmo sabendo que no meu mundo que é desconhecido pra ele, não existe resto algum de qualquer sentimento ou coisa que o valha que possa causar ciúme ou apontar pra direção oposta àquela em que ele se encontra ou aponta também.
Sim! Eu ainda sou cheia de precipitações e de pensamentos auto-sabotadores, mas já existe em mim uma válvula de "descompressão". É bom poder olhar toda e qualquer situação -mesmo as mais bobas e aquelas criadas por pensamentos descabidos- por ângulos diversos, ainda que estando inserida nela. É bom, é tão bom encontrar as respostas que certos momentos não nos deixam ver...
Como eu me expresso na existência dos outros, não posso deixar de esclarecer o seguinte: por encontrá-lo e o fazer permanecer na minha vida, me sinto melhor, me sinto “mais grande”. Ele traduz e mostra as coisas lindas que estão em mim por nascer. Quando se aprende a ver a beleza íntima das coisas... não há outro caminho. O amor também ele tem de ser aprendido. Diariamente. Perceber isso me faz até soltar um sorriso de escárnio para os meus maus pensamentos que inutilmente tentam mudar alguma coisa aqui dentro. Não há outro caminho. O amor é lindo, deus meu! O amor é lindo e a frase é tão piegas que eu quase me recuso a escrever...Mas é.

04 Julho 2007

Das vantagens de ser bobo

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.

O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.

Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê.

César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" Bobo não reclama.
Em compensação, como exclama! Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil).

Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo.
Por Clarice Lispector

20 Junho 2007

Vaga e Lume

- Filho de vagalume é estrela, é?
- Quando queima a luz do vagalume, quem troca a lampada?



por André Gonçalves.

30 Maio 2007

.cosmopolitas.

[Ou: todo comportamento humano individual possui uma dimensão coletiva.]
[Ou ainda: sobre a necessidade humana (mesmo que não consciente) de aceitação.]

Por que grande porcentagem dos intelectuais (pseudo ou não) contemporâneos, enquanto sujeitos antenados, usam aqueles óculos de armação preta e retangular?

Por que uma bela parcela das pessoas dadas à transitoriedade desse mundo capitalista e à efêmeridade do mesmo resolveu que deve possuir o mesmo jeans, a mesma bolsa, o mesmo cabelo (liiiso se do sexo feminino e milimetricamente bagunçado se do sexo masculino), o mesmo modo de falar, de andar... E saem por aí, mortais análogos, como se pertencessem a uma fábrica humana??

Por que grande parte dos indivíduos tendenciosos às EMOções uniram-se para constituir uma nova espécie humana (nada contra!os acho uns fofos!), onde absolutamente todos cultivam o mesmo corte de cabelo, a mesma maquiagem, a mesma roupa, o mesmo gosto musical e até o mesmo humor???

Seria um acordo secreto? Mesmo cabelereiro, mesmo personal stylist, mesmo orientador para assuntos psico-culturais? Am?

Por que as pessoas, enquanto seres individuais, fazem de tudo para serem diferentes, mas a cada tentativa se tornam mais iguais???

A questão é simples. Eu sei. Você sabe. E o tópico já responde toda a questão...
Me divirto mesmo é com a obviedade humana. A minha também é claro, visto que, até onde meu conhecimento vai, sou ser pertencente à raça.

Só não sei ao certo aonde me insiro!

25 Maio 2007

.repetir (todas as noites) antes de dormir:

Meus pensamentos devem me anunciar onde estou; não devem me revelar para onde vou. Eu amo a ignorancia a respeito do futuro e não quero perecer de impaciência e do antegozo de coisas prometidas.*

Vamos lá, repitam comigo:

Eu amo a ignorancia a respeito do futuro e não...




*Nietzsche em A Gaia Ciência

22 Maio 2007

Eu preciso de músicas novas.
Eu preciso de filmes novos.
Eu preciso de livros novos.

E de tempo.
Acudam!

19 Maio 2007

O existencialismo não acredita no poder da paixão. Ele jamais admitirá que uma bela paixão é uma corrente devastadora que conduz o homem, fatalmente, a determinados atos, e que, conseqüentemente, é uma desculpa. Ele considera que o homem é responsável por sua paixão." (Sartre em O Existencialismo é um Humanismo)

Os sentimentos são sempre permeados por nossas escolhas!?!
O amor idealizado é uma farsa !?
Amamos alguém para que esse alguém nos dê algo em troca !?
O amor é funcional !?
Sentimentos são produções da nossa consciência !?
E as manifestações inconscientes, deus meu?

Então me diga:
Você já se relacionou com alguém sem esperar NADA em troca?
Me diga uma pessoa com a qual você se relaciona que não te acrescenta nada.
Uma apenas. Só uma....


...


Às vezes conseguimos nos fazer compreender. Às vezes conseguimos que a outra pessoa nos veja como o sujeito que somos. As vezes. As vezes

Em outras é raro.

12 Maio 2007

Eu sinto mais falta é das pequenas coisas. Não é quando o telefone não toca que eu me chateio, bem menos quando o dia é corrido e cheio de afazeres que tomam todo o tempo que devia (não por obrigação, apenas por vontade) ser meu. Nem quando surge um compromisso mais importante... Nem quando acontece, como geralmente acontece, o atraso de 30, 40, 120 minutos por um motivo bobo qualquer.


Eu me chateio é quando a voz tende a ser meio desinteressada, mesmo sem ser. É quando, por distração, a mão esquece de se acomodar bem aqui no meu joelho ou quando a voz, por comodismo, não diz o que gosto de ouvir bem aqui no pé do ouvido. É quando se vai deixando pra depois ("se não agora,então quando?"). É quando eu peço, não com palavras, um tiquinho de qualquer coisa que se pareça com atenção, mas nem é e não recebo. É quando eu procuro procuro procuro e não encontro. E a respiração, eu me chateio tanto com a respiração. E a direção pra onde os pés apontam

16 Abril 2007

de tão lindo me dói.

http://www.youtube.com/watch?v=nK8DLX792Zs